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Com apoio de Columbia e Concertação pela Amazônia, RAPS promove debate sobre nova agenda climática dos EUA

21 de janeiro de 2021

Com apoio de Columbia e Concertação pela Amazônia, RAPS promove debate sobre nova agenda climática dos EUA

A RAPS organizou nesta quinta-feira, 21 de janeiro, um evento online para tratar de um dos assuntos mais urgentes e relevantes do presente e do futuro. Com apoio do Columbia Global Center – Rio de Janeiro (Universidade Columbia) e da Concertação pela Amazônia, o debate teve como tema “O que a nova agenda do clima dos EUA tem a ver com o Brasil e a Amazônia?”.

Participaram do evento Thomas Trebat, cientista político e diretor da Columbia Global Center no Rio; Fernanda Hassem, prefeita reeleita de Brasileia, no Acre; e Francisco Gaetani, economista e membro da Concertação pela Amazônia. A mediação foi de Mônica Sodré, cientista política e diretora executiva da RAPS. O debate teve transmissão ao vivo pelo canal da RAPS no Youtube.

O evento aconteceu um dia após a posse do presidente dos EUA, Joe Biden, e discutiu as propostas de agenda ambiental do novo comandante norte-americano e suas repercussões e impactos no Brasil, sobretudo na região amazônica.

Posse de Biden e protagonismo do clima

Thomas Trebat destacou que a posse de Joe Biden se inicia com a busca dos EUA pela normalidade institucional após o período de Donald Trump à frente da Casa Branca ao mesmo tempo em que também está se olhando para o futuro. E essa visão para o que está por vir inclui a questão climática como protagonista. “O clima volta à cena, e com uma política climática que abrange todas as esferas de poder institucional norte-americano. O comprometimento de Biden se mostra sério e de longo prazo. É uma grande e positiva mudança”, comentou.

O diretor do Columbia Global Center também comentou que atuar pela mudança climática é missão de todos os governos e o Brasil precisa estar inserido nisso, ao contrário do que tem demonstrado a atual gestão. Além disso, defendeu parcerias entre as nações para atuação nessa área. “É preciso uma agenda positiva e conjunta em relação ao clima. Focar apenas em sanções não vai resolver o problema. Também precisamos cobrar que o Brasil tenha uma posição de destaque nesse debate”, opinou.

Economia de baixo carbono é consenso global

A fala de Francisco Gaetani abordou a importância e a transversalidade da economia de baixo carbono, que atravessa temas como comércio internacional, inclusão social, entre outros. “Economia de baixo carbono é consenso global, não há discussão sobre o tema”, afirmou. O economista também alertou para os riscos do Brasil ingressar tardiamente nessa questão. “Vamos ter muita dificuldade se essa demora ocorrer. Antes, tínhamos protagonismo nessa agenda global, mas infelizmente a perdemos nos últimos anos”, explicou.

Gaetani também revelou que a agenda ambiental na região precisa ser positiva e vai além do Brasil, já que envolve países como Peru e Bolívia. Ele também defendeu uma atuação multisetorial na região e contou que a Concertação pela Amazônia tem trabalhado para estabelecer esses diálogos. “A expectativa é que o Brasil lidere modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Há grande esperança que a nossa atuação na região possa gerar crescimento e preservar ativos essenciais”, declarou.

Valorização do morador da floresta e ação conjunta de poderes

Fernanda Hassem trouxe a experiência de quem atua com o tema em nível local. Ela é prefeita reeleita de Brasileia, no Acre, cidade com cerca de 27 mil habitantes inserida na região amazônica, que faz fronteira com a Bolívia e com população dividida pela metade entre as áreas urbana e rural.

A gestora contou que muitas pessoas vendem suas terras mesmo estando em reservas por causa da ausência de serviços com educação e saúde, além das dificuldades impostas pela distância da área urbana. Por isso, esses serviços básicos precisam ser priorizados. “Quem mora dentro da floresta precisa entender a importância de estar no local. Com a valorização das pessoas, elas podem ter sentimento de pertencimento e ficar ali”, explicou. Ela também destacou a importância da educação ambiental: “as crianças precisam crescer sabendo respeitar e valorizar a floresta e tudo relacionado a ela”.

A fala de Hassem também reforçou a importância do trabalho das várias esferas governamentais para o desenvolvimento e a preservação da região amazônica. “A desarticulação de organizações institucionais nos atrapalhou ultimamente, com governos estadual e federal atuando em direções diferentes”, disse. “Temos um problema sério de tráfico ilegal de madeira por aqui. É preciso ação conjunta dos poderes para frear isso, além de políticas junto às comunidades extrativistas para melhorar a realidade socioeconômica e o incentivo às produções de castanha e borracha”, finalizou.


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